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Você já ouviu a história – ou lenda... – que conta a origem da feijoada? O prato seria uma herança dos escravos, que usavam as carnes menos nobres, desprezadas pelos senhores da casa grande, num cozido de feijão servido no prato com farofa.
 
Tudo indica que a origem da feijoada não é esta. E o principal argumento é o de autores como Paula Pinto e Silva, que escreveu o livro Farinha, feijão e carne-seca – um tripé culinário no Brasil Colônia. Paula explica que o conceito de carne nobre não se aplicava exatamente àquele tempo. Ao contrário, rabos e patas seriam considerados iguarias, já que a carne em si não era alimento tão comum na mesa do brasileiro.
 
Paula Pinto e Silva defende que a alimentação dos escravos não seria muito diferente da dos senhores, e o motivo é que a variedade de comida no Brasil colonial era pequena, uma vez que a agricultura e o transporte não eram bem desenvolvidos. Farinha de mandioca, carne-seca, feijão, milho e frutas como coco e banana seriam os alimentos mais consumidos por aqui.
 
Já Carlos Alberto Dória, autor de Formação da culinária brasileira, acredita que os escravos eram alimentados com "uma ração", determinada pelos senhores, feita de alimentos prioritariamente baratos. E que, por esse motivo, a culinária dos africanos escravizados dificilmente se desenvolveria naquelas condições, já que não eram livres para tanto.
 
Em História da Alimentação no Brasil, livro clássico publicado no fim da década de 1960, o historiador Câmara Cascudo escreve que feijão e farinha eram o alimento básico nas senzalas, copiado dos hábitos indígenas – vale saber que os índios costumavam comer o feijão sem caldo. 
 
De onde veio a feijoada, então? Os autores acreditam que os cozidos europeus foram determinantes para a criação da receita tipicamente brasileira. O cassoulet francês é um bom exemplo: mistura carnes de aves e embutidos com legumes e feijão branco, e data do século XIV.  
 
Em tempo: o primeiro registro do nome feijoada aparece no jornal bem mais recentemente, apenas no século XIX, como "feijoada à brasileira". A montagem do prato, com arroz, laranja e couve, foi sendo criada com o tempo, e recebe, até hoje, variações, como a adição de banana empanada, ou versões menos gordurosas, ou até vegetarianas. Porém, desde sempre, um símbolo e uma paixão nacional.
 


"Uma feijoada só é realmente completa quando tem uma ambulância de plantão."
Stanislaw Ponte Preta, cronista